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Meu filho adolescente mudou: o que o ato de adolescer revela sobre todos nós

  • Foto do escritor: Cecilia Branco
    Cecilia Branco
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 1 dia


Escultura de um jovem escrevendo em um livro, de onde brotam raízes.
Casa Dali e Gala- Espanha

A adolescência costuma ser tratada como um problema a ser resolvido em casa, na escola, na mídia. Mas o que acontece quando a escutamos de outro lugar? Em vez de perguntar "o que fazer com os adolescentes?", talvez devêssemos perguntar o que esse momento da vida diz a eles e a nós, adultos.


Há uma cena que quase toda família reconhece: falamos com o adolescente ora como criança, ora como adulto, conforme a nossa conveniência. Para voltar tarde da festa, ainda é criança; para ir sozinho ao dentista, já é adulto. O adolescente percebe essa incoerência. Sem um lugar claro onde se reconhecer, sente-se invisível, justamente quando habita um corpo que se transforma e que ele mesmo estranha.


A adolescência não obedece ao calendário


Para o inconsciente, não há ordem cronológica. Encontramos pessoas de 40, 50 ou 60 anos ainda mobilizadas por conflitos não elaborados dessa passagem. Não há regras para atravessá-la, nem garantias de saída, cada sujeito a faz a seu modo e em seu tempo.


O estranhamento dos adultos tem história


Como lembrava Freud, o que nos causa estranhamento já nos foi familiar um dia. Muitos adultos recalcaram a própria adolescência, e é desse esquecimento que nasce parte da dificuldade em acolher os filhos adolescentes. Olhar para o jovem exige, em alguma medida, rememorar o que fomos.


A falta não é um defeito


Constituir-se sujeito é tornar-se sujeito do desejo: a cada desejo satisfeito, outro se apresenta. Essa insatisfação não é uma falha a corrigir; é o que nos mantém vivos e em busca. Na adolescência, porém, muitas vezes a palavra para dizer dessa falta... falta.


Quando a palavra não alcança, os sintomas falam


Violência, uso abusivo de drogas, bulimias e anorexias podem ser compreendidos como tentativas de inscrever, no corpo e no ato, aquilo que não encontrou via simbólica. O artigo propõe uma inversão do discurso comum: a questão não está nos meios usados para escapar da angústia, mas na impossibilidade de lidar com a dor da falta.


Transmitir é apostar sem garantias


Mais do que informar ou ensinar, cabe aos adultos uma transmissão, marcas simbólicas que supõem um sujeito no adolescente. Quando nada se aposta no outro, pouco ou nenhum efeito é possível.


Por que essa leitura importa para famílias e adolescentes


Essa perspectiva convida o adulto a rememorar a própria adolescência para mudar o olhar sobre o jovem, e convida o adolescente a se reconhecer em um lugar de ser, e não de objeto das expectativas alheias. Trata-se de um trabalho de escuta e de elaboração, no tempo singular de cada sujeito, sem fórmulas prontas. O processo analítico pode oferecer esse espaço de investigação do sofrimento, tanto para o adolescente quanto para os pais, contribuindo para a compreensão das dinâmicas inconscientes em jogo e abrindo a possibilidade de ressignificação dos conflitos.


Cada situação é única: a indicação de acompanhamento psicanalítico ou psicológico depende da escuta de cada caso, e este texto tem caráter puramente informativo, não substituindo a avaliação clínica individualizada.


A partir do artigo "O Ato de Adolescer", de Cecilia Branco


A clínica oferece espaços de escuta baseados em diferentes abordagens da psicologia e da psicanálise para acolher a singularidade de cada sujeito. Se você deseja iniciar seu processo, entre em contato para agendar uma consulta.


Imagem de capa: escultura da Casa de Salvador Dalí e Gala (Espanha), com intervenção criada por Cecilia Branco.

 
 

Escuta clínica, acolhimento e ética. No tempo lógico de cada sujeito.

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